TPM E A MULHER
Franciele Minotto
Síndrome Pré-Menstrual (SPM), também conhecida como Tensão Pré-Menstrual (TPM), é o conjunto de sintomas físicos, psíquicos e comportamentais que aparece alguns dias antes da menstruação e que terminam com a menstruação. Conforme a intensidade dos sintomas, podemos classificar a síndrome pré-menstrual em leve, moderada ou severa, sendo a forma severa chamada de Síndrome Disfórica Pré-Menstrual (SDPM).
Os sintomas incluem irritabilidade, mudança de humor, depressão, hostilidade e isolamento social; sintomas físicos como inchaço, sensibilidade mamária, dores musculares, cefaléia e fadiga também podem ocorrer. Estima-se que 80% das mulheres na idade reprodutiva experimentam algum sintoma pré-menstrual, e percentual menor relata sintomas incapacitantes que trazem prejuízos familiar ou profissional. Dependendo dos critérios utilizados para definir a SPM sua incidência pode variar de 5% a 97%.
Dados de estudos sugerem que no grupo etário de 21 a 35 anos, aproximadamente 8% das mulheres apresentam sintomas severos e outros 14% têm sintomas moderados. O sintoma clássico é a irritabilidade, o qual pode ser suficientemente severo a ponto de interferir com aspectos da vida da mulher, tipicamente nos últimos 10 a 14 dias do ciclo menstrual (fase lútea).
A causa exata da SPM e SDPM ainda é desconhecida, uma vez que envolve componentes biológicos, químicos e psicológicos. Pesquisas recentes indicam que a síndrome é resultado de uma complexa interação entre hormônios e neurotransmissores, dentre eles, estrogênio e serotonina.
Demonstrou-se que a diminuição dos níveis de estrogênio é responsável pelo correspondente decréscimo de serotonina após a ovulação, período em que a sintomatologia pré-menstrual se manifesta. Evidência desta teoria repousa no fato de ocorrerem distúrbios do humor após o parto e durante a menopausa, ocasiões associadas com baixos níveis estrogênicos.
Redução no nível de serotonina está associada com humor depressivo, baixo controle dos impulsos, irritabilidade e aumento na ingestão de carboidratos.
O tratamento de primeira escolha para casos moderados e severos inclue os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS). Vários estudos demonstram a superioridade desses fármacos em relação aos placebos para os sintomas físicos e emocionais além do excelente perfil de tolerabiliade. Sertralina e fluoxetina são os ISRS com maior número de evidências científicas disponíveis. Observando os efeitos adversos, nota-se que a sertralina tem melhor perfil de tolerabilidade em relação à fluoxetina.
A novidade terapêutica para a SPM é o uso de sertralina na dose 50 mg/dia, na fase lútea do ciclo menstrual, ou seja, nos últimos 14 dias do ciclo menstrual, sendo considerada eficaz, segura e bem tolerada às formas moderada e severa da síndrome.
Esquemas terapêuticos com sertralina 14 dias (uso intermitente) e 30 dias (uso contínuo) mostraram-se igualmente eficazes. No entanto, o uso intermitente apresenta vantagens relacionadas à redução nos efeitos colaterais, menor tempo de exposição ao medicamento, redução no custo do tratamento, ausência do estigma de doença psiquiátrica e ausência do medo de ficar dependente do medicamento.
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