NEOPLASIA INTRA-EPITELIAL ANAL EM MULHERES COM INFECÇÃO GENITAL PELO  HPV  (Papilomavírus Humano) 

Franciele   Minotto

Neoplasia intra-epitelial anal (NIA) é lesão precursora de carcinoma de células escamosas do ânus, três diferentes graus, dependendo do envolvimento epitelial, são descritos: leve (NIA I), moderado (NIA II) e severo (NIA III).

Biologicamente o câncer anal assemelha-se com câncer cervical (colo uterino). Ambos são cânceres escamosos, derivados da mesma origem cloacogênica, são freqüentemente diagnosticados em associação com tecidos displásicos ou pré-cancerosos e ocorrem na zona de transição entre epitélio escamoso e glandular.

Além disso, tanto câncer anal quanto cervical estão fortemente associados com infecção pelo papilomavírus humano (HPV).  DNA HPV tem sido identificado em mais de 99% dos cânceres cervicais e na maioria dos anais. Em especial, HPV-16 e HPV-18.

Infecção concomitante pelo HIV parece aumentar drasticamente o risco de NIA e câncer anal.

O HPV é uma vírus responsável por lesões pré-cancerígena, tendo alta incidência entre a população sexualmente ativa e sua forma de manifestação mais comum é a subclínica, ou seja, assintomática, nesta forma, métodos de coloração e lentes de aumento; já que são lesões não visíveis pelos métodos tradicionais de visão direta, se fazem necessárias.

O diagnóstico das lesões subclínicas de HPV anal é importante tendo em vista sua relação com as lesões intra-epiteliais e carcinoma de canal anal.

A colposcopia, vulvoscopia e peniscopia são métodos diagnósticos largamente utilizados para diagnóstico e seguimento de infecções pelo HPV.

Estudos nacionais e internacionais demonstram que o exame de anuscopia de alta-resolução ou também chamado de colposcopia anal, pois faz uso do colposcópio para visualização da mucosa anal, é método eficiente para diagnóstico e tratamento de HPV anal na forma clínica e subclínica.

A citologia anal (A versão anal do Papanicolaou) pode ser usada para detectar anormalidades citológicas da mucosa escamosa anal. A anuscopia de alta resolução é a reprodução da colposcopia cervical, permitindo biópsia dirigida para diagnóstico de câncer invasivo ou lesões anais pré-cancerosas.

A anuscopia de alta-resolução ou de magnificação, consiste na visualização da região perianal e canal anal  empregando o colposcópio convencional. Inicialmente, avaliamos o períneo e a pele perianal, aplicando ácido acético a 5%, procurando por áreas acetobrancas. A seguir, introduzimos o anuscópio descartável e colocamos gaze umedecida com ácido acético a 5% no canal anal, visualizando a mucosa retal nos seus últimos 3 cm, posteriormente aplica-se solução de lugol, observando a linha pectínea. As áreas suspeitas ou alteradas são biopsiadas.

Mulheres com citologia cervical anormal, sem achados colposcópicos evidentes na vulva, vagina e/ou colo, também deveriam ter o canal anal avaliado.

Além disso, estudos têm demonstrado a presença de HPV anal em  57% das mulheres com neoplasia intra-epitelial cervical, sendo 19% nas portadoras de NIC 3, e 47% nas mulheres com câncer cervical invasivo.

  Apesar de ser largamente relacionado á mulher, o câncer anal também afeta os homens sendo, no entanto,  pelo menos 20 vezes mais freqüente nos homens homossexuais que nos heterossexuais. Alguns dados sugerem que é ainda mais freqüente nos homens homossexuais infectados por HIV. Alguns cientistas sugeriram o rastreio de todos os homens que mantém relações sexuais com homens (HSH), particularmente nos infectados por HIV, para o câncer anal e o seu eventual precursor, a neoplasia intra-epitelial anal de alto-grau (NIA).

A citologia anal esfoliativa pode identificar os casos de NIA de alto-grau, permitindo uma abordagem diagnóstica mais avançada com anuscopia de alta-resolução e biópsia.

A redução da mortalidade e da morbilidade associadas ao câncer anal em Homossexuais masculinos seria o grande objetivo deste rastreio.

Em síntese, o exame de anuscopia de alta-resolução ou colposcopia anal está indicado em:

1.      Mulheres com neoplasia intra-epitelial de alto grau ou carcinoma cervical

2.      Presença de lesões multifocais HPV-induzidas no trato genital inferior

3.      Neoplasia intra-epitelial vulvar extensa ou que se estenda até região perianal ou borda anal

4.      Prurido anal crônico

5.      Imunodeprimidos

6.      Portadores do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV)

7.      Homossexuais do sexo masculino

 Bibliografia

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