HPV
PAPILOMAVÍRUS HUMANO
As últimas três décadas tem testemunhado o grande acúmulo de conhecimentos acerca do papilomavírus humano (HPV), a mais importante, estudada, discutida e incômoda doença sexualmente transmissível da atualidade.
A infecção pelo HPV é a doença sexualmente transmissível mais incidente e prevalente atualmente. Estima-se que metade das pessoas sexualmente ativas serão infectadas pelo menos uma vez ao longo de suas vidas.
Tanto homens quanto mulheres, são infectados pelo HPV, e sua transmissão é relacionada à atividade sexual.
Os fatores de risco para infecção pelo HPV são: início precoce da atividade sexual, número de parceiros (promiscuidade), baixo nível sócio-econômico, tabagismo, sexo feminino (25% das mulheres entre 20 e 29 anos são portadoras do vírus), má higiene genital e uso de método anticoncepcional hormonal oral (menor taxa de uso de condom).
O uso de método contraceptivo de barreira, como o condom (camisinha), diminui mas não elimina o risco de infecção, uma vez que o vírus pode estar presente na pele.
O HPV é organismo intracelular obrigatório que apresenta afinidade por células metabolicamente ativas. Ao menos 30 tipos de HPV causam infecção da mucosa genital, laringe, região perineal, ânus e canal anal.
O rastreamento das lesões cervicais (colo uterino) e vaginais é feito com exame citológico de raspado cérvico-vaginal (Papanicolaou), e o diagnóstico deve ser confirmado por exame histopatológico (biópsia da lesão, guiada por colposcopia).
O HPV pode ser dividido em tipos de alto e baixo risco. Os tipos alto risco (HPV 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52) associam-se a lesões intra-epiteliais escamosas de alto grau (NIC II e III) e câncer invasor, e os tipos de baixo risco (HPV 6, 11, 30, 42, 43, 44) estão principalmente associados com verrugas genitais e lesões intra-epiteliais escamosas de baixo grau (NIC I), raramente encontrados no câncer invasor.
A maioria das infecções pelo HPV apresenta caráter transitório, sendo eliminada, no decurso de alguns meses, em até 80% dos casos. Entretanto, acredita-se que a infecção persistente pelo HPV favoreça o desenvolvimento de lesão intra-epitelial escamosa (NIC) de maior gravidade. A maioria das infecções por HPV é eliminada naturalmente pelo sistema imunológico dentro de 12 meses após o contágio, atingindo 92% dentro de 2 anos. Ambas as infecções por HPV de baixo e alto risco podem regredir espontaneamente sugerindo que o sistema imune responde aos dois grupos de vírus.
Verrugas genitais (condiloma acuminado) representam a manifestação clínica mais comum da infecção genital pelo papilomavírus humano (HPV). São mais de 20 tipos de HPV transmitidos sexualmente, a infecção é usualmente assintomática, DNA HPV (captura híbrida) é detectável no trato genital de aproximadamente 10 – 20% das pessoas entre os 15 e 49 anos. Mais de 90% dos casos de verruga genital visível são causados pelo HPV dos tipos 6 e 11, enquanto HPV dos tipos 16 e 18 são freqüentemente associados ao câncer de colo uterino.
O conhecimento que o HPV é um vírus transmitido sexualmente e que pode levar ao câncer, podendo persistir mesmo após a eliminação da lesão cria um trauma psicossexual significativo podendo afetar as atividades diárias, comportamento, sexualidade e a saúde das mulheres e homens com esta infecção.
O tratamento atual das lesões induzidas pelo HPV, tanto benignas quanto pré-cancerosas e cancerosas, é realizado por excisão(retirada) ou por destruição das mesmas.
Recentemente, com o intuito de erradicar a infecção pelo HPV, duas empresas farmacêuticas anunciaram o desenvolvimento de uma vacina quadrivalente e outra bivalente. Ambas compostas de partículas vírus-like não infectantes.
A vacina quadrivalente promove proteção contra os genotipos 6, 11, 16 e 18 do HPV (Merck – Gardasil® - já aprovada para uso clínico em mulheres de 9 a 26 anos). Enquanto a vacina bivalente atua contra os genotipos 16 e 18 (GlaxoSmithKline – Cervarix® - aprovada em 2008).
O esquema de administração ( Gardasil®) recomendado é de 3 doses aplicadas em 6 meses (0, 2 e 6 meses), por via intramuscular. O principal efeito adverso relatado foi reação alérgica discreta no local de injeção.
Mulheres previamente infectadas pelo HPV 16 têm menor risco de desenvolver lesão de alto grau quando vacinadas. Assim, talvez a vacina quadrivalente também possa ser usada para evitar a progressão ou a recorrência da infecção já estabelecida.
A vacinação está indicada em mulheres de 9 a 26 anos, inclusive em mulheres já infectadas pelo vírus. O uso em gestantes e em homens não está recomendado.
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