14/08 - 16:42

Como falar de sexo com os filhos


Não tem como fugir: desmistificar o sexo para eles é tão importante quanto inevitável. Veja as dicas para não engasgar quando a “desconcertante” conversa aparecer na hora do jantar


Glycia Emrich


“De onde vêm os bebês?” é a pergunta fatídica capaz de deixar pai e mãe na maior saia justa. Mas não adianta mudar de assunto. Falar sobre sexo e sexualidade com os filhos é importantíssimo e não dá pra deixar pra depois.


Quando começar a conversa?

Não tem uma idade exata para falar sobre sexo. “Depende dos estímulos visuais e auditivos aos quais a criança é exposta. Geralmente, a curiosidade para saber de onde vêm os bebês começa com a gravidez da mãe ou de outra pessoa próxima. Vale lembrar que as crianças abaixo de 6 anos não têm memória auditiva tão aguçada, então não dão tanta importância para a resposta. O que interessa para elas é matar a curiosidade ou chamar a atenção”, explica a sexóloga e ginecologista Franciele Minotto.

O interesse chama

A hora certa pra falar sobre sexo é quando surge o interesse! E não tem idade pra isso. “Primeiro devemos informá-los sobre os órgãos genitais, como funcionam, sobre a higiene, e sobre a diferença entre os gêneros masculino e feminino, dando exemplos do papai e mamãe, irmão e irmã, se for necessário”, sugere a ginecologista.

E mesmo se não houver perguntas, a partir dos 10 anos, é legal introduzir o tema no papo em casa. “É necessário que os pais insiram o assunto nas conversas com as crianças. Comentar sobre o que é o namoro e como acontece; que as pessoas beijam na boca, se abraçam, fazem carinho pelo corpo da outra. E que um belo dia poderão ficar nus e, se assim desejarem, o pênis do menino entrará na vagina da menina”, aconselha Franciele.

Xô, mito!

Desconversar, mudar de assunto, não pronunciar a palavra em casa apenas mistifica o sexo e o coloca distante da vida da criança. “Como há muito estímulo visual, algumas vezes é difícil esconder ou dissimular a palavra ‘sexo’. Isso é importante para não deixar o assunto como algo proibido ou mágico”, alerta a sexóloga. E nada de ficar constrangida. Na hora de conversar, a naturalidade é importante para o entendimento da criança e facilita a percepção de que o sexo é uma prática constante da vida adulta.

A professora Joana E. Antunes, 32 anos, não sabia o que responder quando a filha de cinco anos fez a primeira pergunta embaraçosa. “Um belo dia, a Thaís virou pra mim e perguntou: ‘mãe, eu posso cruzar?’ Fiquei surpresa e sem saber o que dizer. Mas expliquei que só podemos fazer isso quando amamos alguém de verdade. Foi a única saída”, ri a professora.

As metáforas

Não adianta usar palavras do diminutivo para se referir aos órgãos sexuais. Nada de pirulitinho e pererequinha. “Falar o nome correto de ambos e até utilizar-se de espelho para identificar as estruturas é muitíssimo importante. Sexo não pode ser relegado eternamente ao ‘felizes para sempre’ do conto de fadas”, adverte.

Anote!

Dicas para não engasgar quando a conversa de sexo aparecer na hora do jantar:

- Trate o assunto com naturalidade e deixe claro que é uma prática comum da vida adulta;

- Vale perguntar o que a criança já sabe sobre o assunto, para especificar a dúvida;

- Não esconda que os pais praticam o sexo. Isso estimula os filhos a perceber a união do casal e a compreender que você precisa daquela horinha pra ficar a sós;

- Explique que o ato sexual é prazeroso, mas pode trazer transtornos sem algumas precauções: gravidez indesejada, doença sexualmente transmissível, etc;

- Tome cuidado com o contexto e as palavras usadas durante o diálogo para não associar o sexo a algo sujo ou feito apenas pelos maus

- É necessário começar a conversa enquanto as modificações puberais estão acontecendo. Deixar para falar depois da primeira menstruação, para as meninas, é tapar o sol com a peneira e pode ser tarde demais!


http://delas.ig.com.br/inspiracao/noticias/2008/08/14/como_falar_de_sexo_com_os_seus_filhos_1560444.html

 


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