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Como falar de sexo com os filhos
Não tem como fugir: desmistificar o sexo para eles é tão importante quanto
inevitável. Veja as dicas para não engasgar quando a “desconcertante” conversa
aparecer na hora do jantar
Glycia Emrich
“De onde vêm os bebês?” é a pergunta fatídica capaz de deixar pai e mãe na maior
saia justa. Mas não adianta mudar de assunto. Falar sobre sexo e sexualidade com
os filhos é importantíssimo e não dá pra deixar pra depois.
Quando começar a conversa?
Não tem uma idade exata para falar sobre sexo. “Depende dos estímulos visuais e
auditivos aos quais a criança é exposta. Geralmente, a curiosidade para saber de
onde vêm os bebês começa com a gravidez da mãe ou de outra pessoa próxima. Vale
lembrar que as crianças abaixo de 6 anos não têm memória auditiva tão aguçada,
então não dão tanta importância para a resposta. O que interessa para elas é
matar a curiosidade ou chamar a atenção”, explica a sexóloga e ginecologista
Franciele Minotto.
O interesse chama
A hora certa pra falar sobre sexo é quando surge o interesse! E não tem idade
pra isso. “Primeiro devemos informá-los sobre os órgãos genitais, como
funcionam, sobre a higiene, e sobre a diferença entre os gêneros masculino e
feminino, dando exemplos do papai e mamãe, irmão e irmã, se for necessário”,
sugere a ginecologista.
E mesmo se não houver perguntas, a partir dos 10 anos, é legal introduzir o tema
no papo em casa. “É necessário que os pais insiram o assunto nas conversas com
as crianças. Comentar sobre o que é o namoro e como acontece; que as pessoas
beijam na boca, se abraçam, fazem carinho pelo corpo da outra. E que um belo dia
poderão ficar nus e, se assim desejarem, o pênis do menino entrará na vagina da
menina”, aconselha Franciele.
Xô, mito!
Desconversar, mudar de assunto, não pronunciar a palavra em casa apenas
mistifica o sexo e o coloca distante da vida da criança. “Como há muito estímulo
visual, algumas vezes é difícil esconder ou dissimular a palavra ‘sexo’. Isso é
importante para não deixar o assunto como algo proibido ou mágico”, alerta a
sexóloga. E nada de ficar constrangida. Na hora de conversar, a naturalidade é
importante para o entendimento da criança e facilita a percepção de que o sexo é
uma prática constante da vida adulta.
A professora Joana E. Antunes, 32 anos, não sabia o que responder quando a filha
de cinco anos fez a primeira pergunta embaraçosa. “Um belo dia, a Thaís virou
pra mim e perguntou: ‘mãe, eu posso cruzar?’ Fiquei surpresa e sem saber o que
dizer. Mas expliquei que só podemos fazer isso quando amamos alguém de verdade.
Foi a única saída”, ri a professora.
As metáforas
Não adianta usar palavras do diminutivo para se referir aos órgãos sexuais. Nada
de pirulitinho e pererequinha. “Falar o nome correto de ambos e até utilizar-se
de espelho para identificar as estruturas é muitíssimo importante. Sexo não pode
ser relegado eternamente ao ‘felizes para sempre’ do conto de fadas”, adverte.
Anote!
Dicas para não engasgar quando a conversa de sexo aparecer na hora do jantar:
- Trate o assunto com naturalidade e deixe claro que é uma prática comum da vida
adulta;
- Vale perguntar o que a criança já sabe sobre o assunto, para especificar a
dúvida;
- Não esconda que os pais praticam o sexo. Isso estimula os filhos a perceber a
união do casal e a compreender que você precisa daquela horinha pra ficar a sós;
- Explique que o ato sexual é prazeroso, mas pode trazer transtornos sem algumas
precauções: gravidez indesejada, doença sexualmente transmissível, etc;
- Tome cuidado com o contexto e as palavras usadas durante o diálogo para não
associar o sexo a algo sujo ou feito apenas pelos maus
- É necessário começar a conversa enquanto as modificações puberais estão
acontecendo. Deixar para falar depois da primeira menstruação, para as meninas,
é tapar o sol com a peneira e pode ser tarde demais!
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